O atelier
Uma pequena oficina de três pessoas que estuda o que acontece a uma marca dentro de uma resposta de IA.
i. O que somos
O nome risura traz duas leituras. Em latim, a rasura era o traço deixado quando o copista raspava o pergaminho para reescrever por cima — uma forma antiga de apagar, mais cuidada do que cortar. Em português, riso é o sorriso. O atelier observa rasuras: os pontos em que o modelo, na linguagem, raspa silenciosamente a entidade de uma marca para escrever por cima outra função, outra categoria, outro vizinho. Olha-as com a serenidade do escriba que reconhece a mecânica do gesto, não com alarme.
O Atelier das Entidades é um pequeno laboratório em Lisboa que trabalha sobre um único tema: como os modelos de linguagem descrevem empresas — onde acertam, onde deslocam ligeiramente a categoria, onde silenciosamente substituem a função real do produto por uma função vizinha.
Não somos uma agência, nem uma consultora; também não somos um observatório académico. Funcionamos como um atelier: três pessoas, uma metodologia, um caderno em comum. Cada observação é registada antes de ser interpretada; cada interpretação é discutida a três antes de entrar no corpus.
ii. Como trabalhamos
O trabalho começa numa pergunta a um modelo. Sempre em pt-PT, sempre em sessão anónima, sempre repetida. O que resulta é uma colecção de respostas — algumas idênticas, outras com pequenas variações de fundo. O laboratório distingue, dentro dessa colecção, o ruído das variações que não persistem e o desvio estável dos deslocamentos que se repetem ao longo das execuções e entre modelos.
A taxonomia que usamos — quatro modos de erro — não foi proposta a priori; cresceu a partir das observações. ▲ deslocação · ↳ substituição · ~ vizinho · — espaço vazio. Esses quatro rótulos cobrem, neste momento, a quase totalidade das placas do corpus.
iii. O que não fazemos
O atelier não faz auditoria SEO, nem otimização de prompts, nem treino de modelos. Não vendemos relatórios de pareceres. Publicamos placas — cada uma assinada, com método declarado, com resposta-fonte registada, com possibilidade de reprodução por quem quiser repetir o protocolo.
Masthead · três pessoas
Conduz a análise das entidades nas respostas dos modelos. Assina a maior parte das placas do corpus.
Cuida dos protocolos de execução, da repetição das amostras e do registo das condições de cada prova.
Mantém o caderno de observações, traça as trajetórias semânticas e revê o português técnico de cada placa.
O atelier não publica calendário nem newsletter; novas placas aparecem no corpus à medida que o trabalho avança.